Contas da prefeitura de Rio de Janeiro em 2025
Quanto a prefeitura arrecadou, quanto se comprometeu a gastar e como fechou o ano: os números que ela mesma declarou ao Tesouro Nacional, explicados sem jargão.
Em 2025, a prefeitura de Rio de Janeiro (RJ) arrecadou R$ 40,78 bilhões. Depois de descontar R$ 1,51 bilhão (a parte que vai para o FUNDEB e devoluções), ficou com uma receita líquida de R$ 39,28 bilhões. Ela se comprometeu a gastar R$ 39,13 bilhões (despesa empenhada). A receita superou a despesa em R$ 150,94 milhões (0,4% da receita): é o que se chama de superávit orçamentário. Isso dá R$ 5.813 de gasto por habitante, considerando 6.730.729 moradores (estimativa do IBGE para 2025).
Esse resultado não quer dizer, por si só, que sobrou ou faltou dinheiro no caixa: a prefeitura pode usar recursos guardados de anos anteriores.
Ano fechado de 2025, como declarado ao Tesouro
O que chama a atenção nos números?
Destaques escolhidos por regras fixas a partir das contas de 2025: no máximo três, com os mesmos critérios para todas as cidades.
Os impostos e taxas da própria cidade (receita tributária) foram 46,6% da receita bruta em 2025. Na cidade típica do Brasil, essa parte é de 6,3%.
Esses destaques descrevem diferenças e tendências. Sozinhos, não indicam boa ou má gestão nem irregularidade. As variações são nominais, sem descontar a inflação.
O que cada palavra quer dizer
- Receita
- todo o dinheiro que entra nos cofres da prefeitura: impostos e taxas da cidade, repasses do governo federal e do estado, rendimentos.
- Receita líquida
- a receita depois de tirar o que a prefeitura repassa ao FUNDEB (fundo da educação básica) e as devoluções. Não quer dizer que todo esse valor esteja livre: parte tem destino definido, como educação e saúde. Atenção: não é a Receita Corrente Líquida (RCL) da Lei de Responsabilidade Fiscal, usada para os limites de gasto com pessoal e de dívida.
- Despesa empenhada
- o valor que a prefeitura reservou e se comprometeu a pagar. O empenho vem antes da entrega do serviço e do pagamento.
- Superávit e déficit
- a receita líquida menos a despesa empenhada no ano. Se sobra, é superávit; se falta, é déficit. Não é, sozinho, sinal de boa ou má gestão.
- Por habitante
- o valor total dividido pelo número de moradores, para comparar cidades de tamanhos diferentes.
Do compromisso ao pagamento em 2025: o caminho do dinheiro
Quando a prefeitura gasta, o dinheiro passa por três etapas. Os valores abaixo não incluem as despesas entre órgãos da própria prefeitura.
o dinheiro foi reservado
o serviço ou a compra foi entregue
o dinheiro saiu do caixa
| Etapa | Valor | Do empenhado |
|---|---|---|
| Empenhada | R$ 39.127.713.548 | 100% |
| Liquidada | R$ 37.961.216.015 | 97% |
| Paga | R$ 36.258.738.145 | 93% |
Os valores são do próprio ano: não incluem o pagamento de dívidas de anos anteriores, então não mostram, sozinhos, se a prefeitura deve ou não.
De onde veio o dinheiro da prefeitura de Rio de Janeiro em 2025?
De cada R$ 100 que a prefeitura arrecada, R$ 38,50 vêm de repasses do governo federal e do estado, R$ 46,60 de impostos e taxas da própria cidade e R$ 14,90 de outras fontes.
Os três percentuais foram arredondados para uma casa decimal; quando a soma não dá 100%, a diferença vai para a parte com maior resto.
O detalhe, em três grupos
| Fonte | Valor | Da receita bruta |
|---|---|---|
| Repasses do governo federal e do estadoFPM, ICMS, IPVA, FUNDEB, SUS e outros valores enviados pelo governo federal e pelo estado. | R$ 15,69 bilhões | 38,5% |
| FUNDEBfundo da educação básica: o dinheiro volta para a educação, mas parte da receita foi descontada para formá-lo. | R$ 5,05 bilhões | 12,4% |
| SUSrepasses da saúde, vindos da União e do estado. | R$ 3,83 bilhões | 9,4% |
| ICMSparte do imposto estadual sobre mercadorias e serviços que cabe à cidade. | R$ 2,96 bilhões | 7,3% |
| IPVAparte do imposto estadual sobre veículos que cabe à cidade. | R$ 1,34 bilhão | 3,3% |
| FPMFundo de Participação dos Municípios: repasse da União, dividido entre as cidades. | R$ 728,23 milhões | 1,8% |
| Demais repasses | R$ 1,79 bilhão | 4,4% |
| Impostos e taxas da própria cidadeo que o próprio município arrecada: IPTU, ISS, ITBI, taxas e o imposto de renda retido dos salários e serviços que a prefeitura paga. | R$ 19,01 bilhões | 46,6% |
| ISSimposto sobre serviços prestados na cidade. | R$ 9,53 bilhões | 23,4% |
| IPTUimposto sobre imóveis urbanos. | R$ 5,15 bilhões | 12,6% |
| IRRFimposto de renda retido na fonte sobre o que a prefeitura paga a servidores e fornecedores. | R$ 1,95 bilhão | 4,8% |
| ITBIimposto sobre a compra e venda de imóveis. | R$ 1,48 bilhão | 3,6% |
| Demais impostos e taxas | R$ 905,3 milhões | 2,2% |
| Outras fontesrendimentos de aplicações, aluguéis, serviços cobrados e contribuições. | R$ 6,08 bilhões | 14,9% |
Os três grupos somam a receita bruta. As linhas recuadas são partes do grupo acima delas; o que não aparece em nenhuma linha fica em “Demais”.
A receita bruta inclui o que a prefeitura recebe do FUNDEB. O que ela entrega para formar o fundo é outra coisa: é descontado à parte, no cálculo da receita líquida.
Para onde foi o dinheiro da prefeitura de Rio de Janeiro em 2025?
As áreas que mais receberam em 2025, em valores empenhados: compromissos assumidos no ano, não necessariamente já pagos.
| Área | Valor | Do total |
|---|---|---|
| Saúde | R$ 7,75 bilhões | 19,8% |
| Educação | R$ 7,71 bilhões | 19,7% |
| Previdência Social | R$ 6,93 bilhões | 17,7% |
| Urbanismo | R$ 3,8 bilhões | 9,7% |
| Encargos Especiais | R$ 3,51 bilhões | 9% |
| Administração | R$ 2,33 bilhões | 6% |
| Transporte | R$ 1,93 bilhão | 4,9% |
| Legislativa | R$ 1,22 bilhão | 3,1% |
Ver todas as áreas em "A cidade em números"
A parte de cada área no total não serve para conferir os mínimos que a Constituição exige para educação e saúde: esses usam outra base de cálculo.
Rio de Janeiro comparada com outras cidades em 2025
Quanto a prefeitura gastou e arrecadou por morador, ao lado da cidade típica de cada grupo.
Gasto por habitante
Em 2025, a prefeitura de Rio de Janeiro gastou R$ 5.813 por morador.
- Rio de JaneiroR$ 5.813
- Cidade típica de porte parecido (mais de 500.000 habitantes)R$ 5.779
- Cidade típica do estado (Rio de Janeiro)R$ 8.271
- Cidade típica do BrasilR$ 7.212
- Cidade típica de porte parecido (mais de 500.000 habitantes): R$ 5.779. Rio de Janeiro gastou quase o mesmo.
- Cidade típica do estado (Rio de Janeiro): R$ 8.271. Rio de Janeiro gastou 30% a menos.
- Cidade típica do Brasil: R$ 7.212. Rio de Janeiro gastou 19% a menos.
Receita líquida por habitante
Em 2025, a prefeitura de Rio de Janeiro recebeu R$ 5.836 por morador (receita líquida).
- Rio de JaneiroR$ 5.836
- Cidade típica de porte parecido (mais de 500.000 habitantes)R$ 5.770
- Cidade típica do estado (Rio de Janeiro)R$ 8.390
- Cidade típica do BrasilR$ 7.534
- Cidade típica de porte parecido (mais de 500.000 habitantes): R$ 5.770. Rio de Janeiro recebeu quase o mesmo.
- Cidade típica do estado (Rio de Janeiro): R$ 8.390. Rio de Janeiro recebeu 30% a menos.
- Cidade típica do Brasil: R$ 7.534. Rio de Janeiro recebeu 23% a menos.
Gastar mais ou menos não quer dizer gestão melhor ou pior: depende do tamanho da cidade, dos serviços que ela oferece e dos repasses que recebe.
Por que “por morador”? Para dar para comparar cidades de tamanhos diferentes. “Cidade típica” é a do meio da lista de cada grupo: metade das cidades teve valor maior e metade menor (a própria cidade entra no grupo). Todas usam o mesmo ano e a mesma conta.
Como chegamos nos números de 2025
A conta, passo a passo, com os valores que a prefeitura declarou.
| Receita arrecadada (bruta) | R$ 40.783.785.881 |
| menos: dedução para o FUNDEB | − R$ 1.015.788.712 |
| menos: outras deduções (devoluções) | − R$ 489.344.939 |
| igual a: receita líquida | R$ 39.278.652.229 |
| Despesa empenhada (sem as despesas entre órgãos da própria prefeitura) | − R$ 39.127.713.548 |
| Resultado: receita líquida menos despesa empenhada | R$ 150.938.681 |
Para não contar duas vezes, ficam de fora R$ 7,31 bilhões de despesas intra-orçamentárias: operações entre órgãos e entidades do próprio orçamento municipal.
Os valores são os do município como um todo, como declarado ao Tesouro (inclui a Câmara Municipal).
Outros sites podem mostrar a receita bruta, a despesa paga ou incluir as operações intra-orçamentárias, e por isso os números às vezes diferem. Aqui usamos os dados que a prefeitura declarou ao Tesouro Nacional, com a receita depois das deduções e a despesa empenhada sem as operações intra-orçamentárias.
Quanto a prefeitura de Rio de Janeiro já arrecadou e gastou em 2026?
Números do relatório que a prefeitura envia ao Tesouro Nacional a cada dois meses, acumulados até agosto de 2026 (4º bimestre). São provisórios: o balanço do ano só fecha na declaração anual.
Até agosto de 2026, a prefeitura de Rio de Janeiro arrecadou R$ 27,74 bilhões (61,9% do que previa para o ano) e se comprometeu a gastar R$ 33,08 bilhões (72,5% do orçamento autorizado). Até aqui, a despesa superou a receita em R$ 5,34 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2025, a receita variou +4,9% e a despesa empenhada, +9%.
| Item | Valor | % do previsto ou do orçamento |
|---|---|---|
| Receita prevista para o anoquanto a prefeitura espera arrecadar em 2026 | R$ 44,81 bilhões | |
| Receita arrecadada até agostojá líquida do FUNDEB e sem as receitas entre órgãos da própria prefeitura | R$ 27,74 bilhões | 61,9% |
| Orçamento autorizado para o anoa dotação atualizada: o teto de gasto do ano, com os ajustes feitos | R$ 45,63 bilhões | |
| Despesa empenhada até agostoo dinheiro reservado para pagar | R$ 33,08 bilhões | 72,5% |
| Despesa liquidadao serviço ou a compra foi entregue | R$ 26,06 bilhões | 57,1% |
| Despesa pagao dinheiro saiu do caixa | R$ 23,61 bilhões | 51,7% |
| Folha de pagamento e encargos (empenhado)salários dos servidores e encargos sociais | R$ 13,71 bilhões | 30% |
| Obras e equipamentos (empenhado)os investimentos da prefeitura | R$ 3,23 bilhões | 7,1% |
Já passaram 67% do ano. Receita e despesa não chegam de forma uniforme (o IPTU, por exemplo, costuma entrar no começo do ano): por isso vale olhar também o mesmo período do ano passado.
RREO — Relatório Resumido da Execução Orçamentária, Anexo 01 (Balanço Orçamentário), enviado pela própria prefeitura ao Siconfi (Tesouro Nacional).
Perguntas frequentes sobre as contas de Rio de Janeiro
Quanto a prefeitura de Rio de Janeiro arrecadou em 2025?
Arrecadou R$ 40,78 bilhões (receita bruta). Descontadas as deduções do FUNDEB e outras (R$ 1,51 bilhão), a receita líquida foi de R$ 39,28 bilhões.
Quanto a prefeitura de Rio de Janeiro gastou em 2025?
Comprometeu-se a gastar R$ 39,13 bilhões (despesa empenhada, sem as despesas entre órgãos da própria prefeitura). Desse valor, R$ 37,96 bilhões já tinham sido entregues em serviços e compras (liquidado) e R$ 36,26 bilhões tinham sido pagos.
A prefeitura de Rio de Janeiro teve superávit ou déficit em 2025?
A receita superou a despesa em R$ 150,94 milhões (0,4% da receita): é o que se chama de superávit orçamentário. Esse resultado não quer dizer, por si só, que sobrou ou faltou dinheiro no caixa: a prefeitura pode usar recursos guardados de anos anteriores.
De onde vem o dinheiro da prefeitura de Rio de Janeiro?
38,5% da receita vêm de repasses do governo federal e do estado (como FPM, ICMS, FUNDEB e SUS), 46,6% de impostos e taxas da própria cidade (como IPTU e ISS) e 14,9% de outras fontes.
Qual é o gasto por habitante de Rio de Janeiro?
Em 2025, a prefeitura gastou R$ 5.813 por habitante (6.730.729 habitantes, estimativa do IBGE). Na cidade típica de porte parecido (mais de 500.000 habitantes), foi de R$ 5.779.
Quanto a prefeitura de Rio de Janeiro arrecadou e gastou em 2026 até agora?
Até agosto de 2026, a prefeitura de Rio de Janeiro arrecadou R$ 27,74 bilhões (61,9% do que previa para o ano) e se comprometeu a gastar R$ 33,08 bilhões (72,5% do orçamento autorizado). Até aqui, a despesa superou a receita em R$ 5,34 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2025, a receita variou +4,9% e a despesa empenhada, +9%.
Por que os números diferem de outros sites?
Os critérios mudam: receita bruta ou líquida (depois das deduções); despesa empenhada, liquidada ou paga, com ou sem as operações intra-orçamentárias; população do Censo ou estimativa do IBGE. Aqui usamos os dados da DCA declarados ao Tesouro Nacional: receita líquida, despesa empenhada sem operações intra-orçamentárias e a estimativa do IBGE do ano.
Baixar os números
Receita, deduções, origem do dinheiro e despesa por área, em planilha (CSV). Uso livre, citando a fonte.